Hodômetro adulterado esconde quilometragem original: saiba quais são os sinais de fraude

0 26
Dentre os diversos golpes que a malandragem aplica, a adulteração de hodômetro é o mais conhecido
Dentre os diversos golpes que a malandragem aplica, a adulteração de hodômetro é o mais conhecido

Na balança do mercado de automóveis, sempre que as vendas dos modelos zero-quilômetro pendem para baixo, os seminovos vêm sua procura subir. Em época de crise, como a atual, os usados ganham ainda mais espaço, mas o aquecimento do setor também atrai os espertalhões e, dentre os diversos golpes que a malandragem aplica, a adulteração de hodômetro é o mais conhecido. Bom, a primeira coisa que o leitor deve saber é que essa prática é crime (Lei Nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990) e o larápio pode pegar de dois a cinco anos de prisão. “Depois que esse tipo de adulteração foi tipificada como estelionato, a prática vem perdendo força. No passado, ela era mais comum, mas atualmente a fraude é fácil de ser descoberta e comprovada”, avalia o sócio-proprietário da Procemax, empresa especializada em vistoria automotiva, Matheus Almeida.
Recentente, ouvi a queixa de uma amigo que comprou um Corolla, ano 2012, que marcava 34 mil quilômetros rodados no seu hodômetro. Até aí, tudo bem. Surpreso ele ficou ao levar o Toyota para a revisão dos 40.000 km, quando foi informado no concessionário que o modelo que havia adquirido já havia feito a revisão dos 60.000 km – ou seja, sua quilometrâgem original era quase o dobro da registrada no hodômetro. Se sentindo lesado, o colega acionou a justiça para desfazer o negócio, mas o leitor, certamente, prefere evitar a decepção e uma demanda nos tribunais.
“A adulteração dos hodômetros digitais e feita de maneira bem simples e não leva mais do que 20 minutos. A boa notícia é que ela ocorre somente no painel de instrumentos, deixando muitas vezes a quilometragem verdadeira registrada na central eletrônica. Cerca de 35% dos veículos comercializados no país possuem a central eletrônica bloqueada para leitura desses dados, mas na maioria deles é possível acessar esse valor com um equipamento – scanner – específico”, afirma Almeida.
Mas existem algums cuidados simples que podem ajudar o comprador a identificar a fraude sem o auxílio eletrônico, apenas com os próprios olhos e um pouco de atenção aos detalhes. Por exemplo: volante e pomo da alavanca de câmbio muito desgastados são sinais de um automóvel muito rodado. Da mesma forma, se o banco do motorista estiver com a forração puída do lado esquerdo, há um claro indicativo de uso severo, em que seu motorista entrou e saiu do veículo centenas de vezes. Ressaltos nos discos de freio, na área de atuação das pastilhas, também denunciam o uso maior do que o hodômetro pode sugerir e, para os mais antenados, vale lembrar que os pneus trazem, em sua numeração, seu ano de fabricação – se as datas de produção do pneu e do veículo forem diferentes, é outro sinal de alta quilometragem.
Os registros de manutenção, principalmente das revisões obrigatórias, podem revelar uma incompatibilidade entre o que o hodômetro indica e a média anual de rodagem do veículo. O manual do proprietário traz as anotações das revisões programadas e, caso ele não seja apresentado pelo vendedor do veículo, ainda em período de garantia, desconfie!
Observe sempre o estado de conservação do estepe e o compare aos pneus de rodagem. Um carro pode rodar facilmente 40 mil quilômetros com um jogo de pneus e o desgaste acentuado do estepe, em contraposição ao dos demais, também é muito suspeito. E até mesmo a pintura dos parafusos e rebites da carroceria mostram se eles são originais, se foram reapertados ou substituídos. Para além disso, seu corretor de seguros também pode dar uma ajuda nessa hora, afinal, nos registros da seguradora ficam informações importantes como sinistros ou se o modelo pretendido já foi arrematado em leilão.
Também é bom rever alguns conceitos, já que nem todas as lendas sobre seminovos têm fundamento técnico. “O comprador deve ter em mente que, ao contrário do que muitos pensam, o que determina o desgaste dos componentes mecânicos de um veículo é seu numero de horas de trabalho e não sua quilometragem. Modelos que trafegam mais em rodovias, percorrendo grandes distâncias, tendem a sofrer um desgaste quatro vezes menor do que um veículo que trafega mais no trânsito urbano, onde rodam pouco. Geralmente, os veículos com adulteração de hodômetro são bem conservados, mas possuem alta quilometragem”, alerta Almeida.
Já para quem não quer correr nenhum tipo de risco, empresas de vistoria veicular cobram entre R$ 250 e R$ 450, dependendo do detalhamento do serviço, para dar um pente-fino no possante. E a dica principal que posso deixar é: esqueça o hodômetro e foque no estado de conservação e no histórico de manutenção preventiva. Veículos modernos, desde que submetidos a manutenção correta, são projetados para rodar pelo menos 200 mil quilômetros e o que determina sua vida útil, daqui para frente, é a maneira como que ele foi tratado no passado.

você pode gostar também

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você está bem com isso, mas você pode optar por sair, se desejar. Aceitar Leia mais