O roubo e a grade

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Os amigos do alheio não desistem. E onde quer que haja um carro, moto ou comercial leve dando sopa, tentam se aproveitar de descuidos para levar o que consigam, isso quando não o próprio veículo. Salvo em casos específicos (para uso em outros crimes, por exemplo), o objetivo é alimentar uma indústria paralela que só se justifica porque há quem compre, sem se preocupar com a origem. Vale para as peças, vale também para o conjunto.

É bem verdade que a tecnologia acabou ‘quebrando o galho’ dos proprietários, ao dar fim a componentes que podiam ser retirados integralmente do interior. Tempos em que os rádios eram presos com bandejas e retirados a cada vez que se saía do veículo, único modo de evitar o furto. Hoje os sistemas multimídia são feitos sob medida e complexos o suficiente para impedir ação semelhante que possa render algum sucesso na empreitada dos bandidos.

Mas ainda há a possibilidade de levar vidros dos retrovisores, rodas com pneus, ou desmanchar o veículo e retirar as peças que não permitam identificar a origem, que rapidamente voltam à circulação com preços convidativos.

Felizmente há medidas que ajudam a inibir a ação dos ladrões, como as leis do desmanche adotadas em vários estados (Minas Gerais) entre eles. Nos leilões públicos, apenas pessoas jurídicas devidamente registradas podem arrematar os lotes qualificados como sucatas ou inservíveis, que ganham uma certificação de origem e, assim, podem ser oferecidos (e adquiridos) sem problemas, com a certeza de que não se está alimentando uma indústria ilegal.

É um passo importante, um avanço que, no entanto, está longe de solucionar um problema ainda sério. E que, ao contrário do que possa parecer, não é ‘privilégio’ dos modelos mais populares.

Que o diga uma campanha adotada pela Audi para os proprietários dos modelos A3, A4 e Q3 fabricados a partir de 2013 (e não necessariamente acessíveis a todos os bolsos). A filial da montadora alemã oferece a reposição gratuita das grades frontais inferiores, desde que o proprietário apresente o boletim de ocorrência do furto.

A lógica da ação é simples: se o componente está à disposição sem custos, não há porque procurar por substitutos de origem duvidosa no mercado paralelo, o que tenderia a desestimular a ação dos ladrões. A marca estima que 90% da procura se dá devido aos furtos, o que acabaria provocando um círculo vicioso. Infelizmente é algo inviável para a grande maioria dos casos.

A melhor conduta ainda é apostar em material com origem conhecida; de preferência novo e garantido. Mais do que qualquer ação policial, rastreador ou estratégia para proteger o bem, ainda é a melhor forma de tornar os furtos desinteressantes para quem tenta. Vale para grade, espelho, roda, parachoque, pneu, guidão e o que mais houver.

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